O trabalho como transformador de uma realidade de gestão e degradação da natureza se evidencia no capitalismo. Os novos valores desenvolvidos pela sociedade capitalista e suas relações, com base na produção e consumo divide o homem em classes e o afasta cada vez mais de sua origem natural.
A criação de uma nova visão de unidade e interdependência entre o homem e o planeta é determinante para transformar a forma de gerir os recursos naturais . Para Eugene Odum, (apud ZACARIAS 2000) “o uso dos recursos pressupõem um contínuo compromisso entre a quantidade da produção e a qualidade do espaço vital ”. Faz-se necessário então um novo estilo de vida que liberte o homem das necessidades impostas pela sociedade de consumo , sendo necessário um processo de aprendizagem de um pensamento crítico . Paulo Freire em toda a sua obra defende a educação na formação de sujeitos sociais , emancipados, autores da sua própria história .
As novas tecnologias de informação e de comunicação marcaram todo o século XX. Marx sustentava que a mudança nos meios de produção transformava o modo de produção e as relações de produção . Isso aconteceu com a invenção da escrita , da imprensa , da televisão e hoje com a Internet . O desenvolvimento espetacular da informação está gerando uma verdadeira revolução que afeta não apenas a produção e o trabalho , mas principalmente a educação e a formação .
A sociedade contemporânea é uma grande sociedade de massa onde imperam a produção em série e a distribuição massiva de produtos e serviços . O consumo desnecessário, a produção crescente e a grande quantidade de lixo produzida contribuem para um dos mais graves problemas ambientais no mundo atual . Um outro ponto é o desperdício , segundo Eingenheer (1993), o lixo e o desperdício parecem faces de uma mesma moeda , pois grande parte do que desperdiçamos vai para o lixo .
O lixo representa o outro lado da produção e sua definição depende da concepção e representações sociais. No Brasil, o desperdício acaba tendo um terreno fértil, devido à representação de natureza abundante, “onde se plantando tudo dá“. No nosso país recursos naturais, financeiros, oportunidades e até alimentos são literalmente atirados no lixo, sem possibilidades de retorno.
O Tratado sobre Consumo e estilo de vida , formulado pelas Organizações Não-governamentais durante a “A Conferência do Rio ” em 1992, entre outras propostas , postula que o consumo deve ser diminuído de acordo a capacidade da Terra , e esta transição deve ser realizada dentro de algumas décadas .
Torna-se então necessário encarar o maior desafio da humanidade que é a mudança de paradigma – do paradigma social (uso infinito dos recursos ambientais) para o novo paradigma do desenvolvimento sustentável. Nesse momento , a Educação Ambiental deverá desempenhar o importante e fundamental papel de promover e estimular a aderência das pessoas e da sociedade , como um todo , a esse novo paradigma .
A educação para o desenvolvimento sustentável exige assim novas orientações e novas práticas pedagógicas onde ocorram as relações de produção de conhecimento e os processos de circulação de forma não compartimentada. O enfoque interdisciplinar preconiza as ações conjuntas das diversas disciplinas em torno das questões ambientais, dada as suas múltiplas interações de fundo ecológico , político , social , econômico , ético , cultural, científico e tecnológico .
Débora Barbosa