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domingo, 25 de setembro de 2011

Educação Ambiental como prática pedagógica




Quanto mais o homem evoluiu como espécie, mas se distanciou da natureza como parte integrante desta. Esse distanciamento trouxe conseqüências desastrosas para o planeta, se entendermos o planeta como um sistema vivo, que se relaciona em rede (CAPRA; 2000) Esse distanciamento entre homem e natureza se dá quando o homem se distingue dos outros animais e se apropria dessa natureza como forma de produzir meios para a sua vida. Os meios de produção e o consumo no sistema capitalista, com a lei de mais valia transforma o homem natural em um ser gestor da natureza.
O trabalho como transformador de uma realidade de gestão e degradação da natureza se evidencia no capitalismo. Os novos valores desenvolvidos pela sociedade capitalista e suas relações, com base na produção e consumo divide o homem em classes e o afasta cada vez mais de sua origem natural. 
A criação de uma nova visão de unidade e interdependência entre o homem e o planeta é determinante para transformar a forma de gerir os recursos naturais. Para Eugene Odum, (apud ZACARIAS 2000) “o uso dos recursos pressupõem um contínuo compromisso entre a quantidade da produção e a qualidade do espaço vital ”. Faz-se necessário então um novo estilo de vida que liberte o homem das necessidades impostas pela sociedade de consumo, sendo necessário um processo de aprendizagem de um pensamento crítico. Paulo Freire em toda a sua obra defende a educação na formação de sujeitos sociais, emancipados, autores da sua própria história.
As novas tecnologias de informação e de comunicação marcaram todo o século XX. Marx sustentava que a mudança nos meios de produção transformava o modo de produção e as relações de produção. Isso aconteceu com a invenção da escrita, da imprensa, da televisão e hoje com a Internet. O desenvolvimento espetacular da informação está gerando uma verdadeira revolução que afeta não apenas a produção e o trabalho, mas principalmente a educação e a formação.
Devido a seus princípios críticos, a Educação Ambiental tem nesse contexto, fundamental importância como estrutura na formação do sujeito social contemporâneo, que tem seu espaço de cidadão limitado pelas forças do mercado, reduzindo-o e transformando-o em espaço de consumidor. O fenômeno do consumo é uma das questões mais complexas a serem estruturadas e entendidas.
A sociedade contemporânea é uma grande sociedade de massa onde imperam a produção em série e a distribuição massiva de produtos e serviços. O consumo desnecessário, a produção crescente e a grande quantidade de lixo produzida contribuem para um dos mais graves problemas ambientais no mundo atualUm outro ponto é o desperdício, segundo Eingenheer (1993), o lixo e o desperdício parecem faces de uma mesma moeda, pois grande parte do que desperdiçamos vai para o lixo.
O lixo representa o outro lado da produção e sua definição depende da concepção e representações sociais. No Brasil, o desperdício acaba tendo um terreno fértil, devido à representação de natureza abundante, “onde se plantando tudo dá“. No nosso país recursos naturais, financeiros, oportunidades e até alimentos são literalmente atirados no lixo, sem possibilidades de retorno.
 O Tratado sobre Consumo e estilo de vida, formulado pelas Organizações Não-governamentais durante a “A Conferência do Rioem 1992, entre outras propostas, postula que o consumo deve ser diminuído de acordo a capacidade da Terra, e esta transição deve ser realizada dentro de algumas décadas
Torna-se então necessário encarar o maior desafio da humanidade que é a mudança de paradigma – do paradigma social (uso infinito dos recursos ambientais) para o novo paradigma do desenvolvimento sustentável. Nesse momento, a Educação Ambiental deverá desempenhar o importante e fundamental papel de promover e estimular a aderência das pessoas e da sociedade, como um todo, a esse novo paradigma.
A educação para o desenvolvimento sustentável exige assim novas orientaçõesnovas práticas pedagógicas onde ocorram as relações de produção de conhecimento e os processos de circulação de forma não compartimentada. O enfoque interdisciplinar preconiza as ações conjuntas das diversas disciplinas em torno das questões ambientais, dada as suas múltiplas interações de fundo ecológico, político, social, econômico, ético, cultural, científico e tecnológico.  
                                                                                      
                                                                                   Débora Barbosa